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April 13 Confusão na voltaDias lindíssimos e maravilhosos. Felicidade estampada em todos os rostos. Só falta voltar prá Londres, com direito a uma paradinha de um dia em Cingapura. Acordamos cedinho e, depois de despedir do Breno e da Jo, que só iam viajar para a Tailândia de tarde (também via Cingapura), eu, Vania e Dona Nícia partimos para o aeroporto.
Chegamos lá com tempo de sobra, devolvemos o carro e fomos fazer o check-in. O funcionário da Qantas pegou os bilhetes, os passaportes e começou a tap-tap no teclado. E tá que tap-tap, e mais tap-tap. - Os dois Bragas estão OK, mas a Mrs. Martin não consta na listagem desse vôo. - Como é que é? Não pode ser. - Favor comparecer ao guichê de serviços da Qantas para resolver o problema. Ao chegar lá, tudo ficou esclarecido: o vôo da Dona Nícia era outro! O nosso partia de Perth ao meio-dia; o dela só às 3:30 da tarde. - Dá prá mudar? Não dava. Mrs. Martin Níquia (era como eles falavam o nome dela, parecido com Martinica... hehehe) ia ter que ficar prá trás. Por sorte, o vôo que ela iria era o mesmo que o Breno e a Jo. Por telefone, combinamos o seguinte: eu e Vania embarcaríamos, com dor no coração, deixando Dona Nícia sozinha em Perth. Breno e Jo iriam se dirigir para o aeroporto imediatamente para fazer companhia prá ela. Tudo resolvido, não fosse por outro pepino muito maior ainda por vir. ---
Decidido o que fazer, voltamos ao check-in para despachar a bagagem e tentar colocar a Dona Nícia na lista de espera do nosso vôo.
O atendente, que já nos conhecia, voltou ao seu tap-tap. Mais tap-tap, mais tap-tap.
- Mrs. Martinica quer despachar sua bagagem direto prá Londres?
- Não. Vamos passar uma noite no hotel em Cingapura.
- Os Bragas vão, mas ela só faz escala naquela cidade.
- Como é que é? Não pode ser.
Era. A gente tinha bobeado e deixado de checar a reserva da Dona Nícia, feita no Brasil. E agora?
- Pode mudar?
Não podia. Todos os vôos lotados com 5, 6 na lista de espera.
Bom, daí começou o pânico, pois o tempo foi se esgotando e eu e Vania tínhamos que embarcar imediatamente.
A melhor sugestão foi eu e Vania tentarmos resolver o problema lá em Cingapura assim que chegarmos lá, enquanto esperássemos pela Dona Nícia chegar no vôo com a Jo e o Breno.
- Passageiros Mr and Mrs Braga. Favor comparecer imediatamente para o embarque. Última chamada. - anunciou o alto-falante.
Olhei no relógio, 10 minutos pro nosso avião sair. Será que vai dar tempo? Saimos numa corrida louca em direção á Segurança.
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Chegamos esbaforidos na sala do raio X. Colocamos as bagagens de mão na esteirinha, os metálicos nas bandeijinhas e passamos sem problema pelo detetor de metais. Ainda resfolegando, fomos pegar as sacolas.
O segurança tinha uma das bagagens na mão:
- Quem é o dono dessa sacola?
Era nossa.
- Quer abrir por favor?
E começa a revistar tintim-por-tintim tudo que estava lá dentro. Xampú - tira. Pasta de dente - tira. Loção após a barba - tira. Pega a sacola, põe de novo no raio X. Ainda tem coisa proibida aí dentro. Abre de novo a sacola.
Alicate de unha, tira. Creme de limpeza de pele, tira.
Cada tirada era um pedaço do coração da Vania que saia pela boca.
- Moço, nós estamos super-atrasados.
Foi quando chegou um funcionário da Qantas e botou mais lenha na fogueira.
- Vocês são Mr e Mrs Braga? Vocês têm que embarcar AGORA, senão teremos que tirar a bagagem de vocês do avião.
Vania começou a dar ordens:
- Cir, vai na frente e segura o avião.
E não é que eu fui mesmo andando para o avião, deixando minha segunda companheira prá trás? Não acredito que vou ter que viajar sozinho!
Um outro funcionário da segurança se dirigiu a mim e com toda a tranquilidade me disse:
- Não se preocupe, o avião não sai sem vocês.
Parei em meio passo e voltei para ajudar a Vania. Depois de passar quatro vezes no raio X e amontoar uma pilhinha de coisas proibidas que iriam ser jogadas no lixo, liberaram a gente.
Saímos na corrida pelo aeroporto adentro. Só faltou todo mundo do avião se levantar e bater palmas quando entramos. A porta foi fechada atrás de nós e, antes de nos assentarmos, o Jumbo 747 começou a taxear pela pista.
Dona Nícia sozinha no aeroporto em Perth.
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Durante as 5 horas de vôo de Perth a Cingapura, foi difícil relaxar. Assumimos nossa postura mais profissional e fizemos uma análise da situação em que nos encontrávamos. O pior cenário era o mais provável: Dona Nícia ter que chegar em Cingapura e de lá seguir sozinha prá Londres, sem poder nem nos encontrar. Sem dinheiro. Sem falar bem o inglês. Sem ninguém para recebê-la em Londres. SEM A CHAVE DA CASA! Vai ter que dar uma de Tom Hanks e passar uma temporada dormindo nos bancos do aeroporto de Heathrow em Londres.
Bom, talvez eu possa trocar de lugar com ela lá em Cingapura. Eu vou prá Londres e ela fica lá com a Vania para seguirem só no dia seguinte. Tudo vai depender da boa vontade da British Airways e da Qantas.
Quando chegamos em Cingapura foi difícil até para explicar a situação pros funcionários da aerolínea.
Cortando a história curta - pois ela ainda está acontecendo - no momento eu estou aqui fora, no hall de chegadas do aeroporto com todas as malas, minhas e da Vania.
Vania não passou pela imigração, ficou lá dentro, esperando pela chegada do Breno, Jo e Dona Nícia. O vôo deles já aterrisou.
Eu consegui, com todo o meu charme, confirmar Dona Nícia para amanhã, junto conosco. Durante todo o tempo em que passei convencendo os funcionários da BA a passar o tíquete da Dona Nícia para amanhã, fiquei com meus dedos cruzados para eles não terem acesso, no sistema de computadores, a uma reclamação por escrito de duas páginas que a Vania deixou registrada na nossa viagem de ida, pelo fato de eles terem esquecido de embarcar suas comidinhas gluten-free.
Bendita seja a British Airways!
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Vania e Dona Nícia não demoraram muito para sair no hall de chegada depois que acabei de escrever o blog anterior, ontem. Tudo resolvido, os três reunidos 6 horas e 3000km depois, fomos finalmente para o hotel em Cingapura. Os planos de sair para visitar atrações turísticas noturnas foram por água abaixo, pois estávamos muito cansados. Pedimos alguma coisa para comer no quarto mesmo e apagamos, super cançados.
Na manhã de hoje, acordamos cedo, tomamos café e, atendendo a sugestão da Vania, sentei para fazer o check-in online. Dava para fazer o meu e o da Vania, mas o da Dona Nícia estava como só podendo ser feito no dia 28 DE MAIO. Quase caí prá trás! Falei prá Dona Nícia e ela me lembrou que aquela era a data de sua volta de Londres pro Brasil. Resolvi ligar prá British Airways.
Depois de esperar na linha mais de meia hora, alguém atendeu e expliquei que queria fazer o check-in dela.
- Senhor, a pessoa que você menciona era para ter embarcado ontem. O sistema de computador diz que ela está no-show. O bilhete dela não pode ser re-aproveitado mais.
No-show é o termo que eles usam pra aqueles passageiros que "perderam o bonde".
- Mas como? Ontem vocês me garantiram que ela estava transferida para o vôo de hoje, junto conosco.
- Quem garantiu? Como é o nome do funcionário? Você tem o impresso do itinerário modificado?
Eu não sabia. Eu não tinha nada por escrito!
- Sinto muito, senhor. Não há nada que possa ser feito. Sugiro o senhor ir ao aeroporto e tentar localizar o funcionário que te deu a informação. Só te digo isso: o sistema de computador consta que Dona Nícia não compareceu para o vôo ontem à noite e seu bilhete para o trecho até Londres está inválido.
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Na maior sengraceza, passei as más notícias para a Vania e a Dona Nícia. Pôxa, nessa altura da minha vida e com a experiência que acho que tenho, dei uma mancada de primeira grandeza ao acreditar nas palavras que me foram ditas. Mas... não foram só as palavras. Eu acompanhei o trabalho que os dois funcionários da BA tinham tido, telefonando para Hong Kong, pedindo para o vôo ser aberto de forma que eles fizessem as modificações necessárias. Me lembrei das várias possibilidades que eles colocaram à minha disposição. Lembrei do fato de que a Dona Nícia, ao desembarcar em Cingapura, fora chamada no alto-falante do avião, pedindo que se identificasse à atendente na saída do avião. E que, na ocasião, ela fora comunicada que não era para fazer transferência direto para Londres, pois seu vôo tinha sido mudado! Em outras palavras, temos evidência da mudança sim.
- Vamos refazer nossos planos. Vamos direto para o aeroporto resolver essa parada. Temos o dia inteiro para isso.
Pegamos um taxi e seguimos para lá.
No caminho, o motorista foi nos dando uma aula sobre Cingapura. Fazia calor, acima de 30 graus, mas as nuvens no céu auguravam chuva para mais tarde.
No aeroporto, fomos diretos ao guichê de serviços da British Airways. Nenhum dos dois funcionários com quem eu falara ontem estavam lá. Uma atendente sorridente perguntou o que eu desejava.
- Estamos com um problema e precisamos de solução.
Expliquei o caso o melhor que pude. Ela olhou no computador e nos tranquilizou:
- Mrs. Martin já fez o seu check-in. Por isso ela não aparece nas listas. Ela está confirmada e seguirá junto com vocês.
- Você pode nos dar o cartão de embarque dela?
- Claro.
Final da história - tomara: estamos embarcando agora. Já estão chamando. Estaremos em Londres amanhã cedinho. April 10 O primeiro abraçoManhã do dia do casamento. Eu estava na cozinha arrumando alguma coisa para o café da manhã. Vania, Dona Nícia e Yvonne estavam já assentadas à mesa tomando o seu café. Jo, a noiva do meu filho, acordou alegre e excitada. - Bom dia! E me deu um abraço. - Chegou o dia finalmente. Quantos abraços você já recebeu hoje? - Este é o primeiro. - Fico muito honrado e prepare-se pois até o fim do dia você vai receber centenas de abraços. Breno se juntou a nós num gostoso abraço de três. Chegou o dia do casamentoAbri os olhos hoje de manhã e a primeira cena que vi foi Vania voltando do banheiro. Minhas primeiras palavras foram: - Bom dia. Como está o tempo hoje? - Horrível, chovendo e super ventando. Puxa vida! Essa não. Olhei os raios de claridade que filtravam pelas frestas da grossa cortina do nosso quarto e achei estranho. - Ué! Abre a janela. Vania abriu a janela que ocupava quase que a parede inteira do quarto e a paisagem que se descortinou foi fantástica. Nem uma nuvenzinha num céu de um azul intenso. - Que coisa! Antes de eu entrar no banheiro estava tudo cinzão, com as árvores sendo balançadas com força pelo vento. Bom, tudo pode acontecer de agora (9 da manhã) até as 3 da tarde. O tempo neste instante está nublado, mas dá prá ver no mar em frente à janela, que há várias zonas de sol aparecendo entre as nuvens. Continuamos com os dedos cruzados. April 08 Caminhada no topo das arvoresBom, piadas à parte, a tal estrutura é uma idéia excelente que poderia ser aproveitada na Amazônia ou no Pantanal. April 06 Humanos e Natureza em Harmonia |
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